Entrevista com Bruno 9li

qua, 09/21/2011 - 11:40
É um prazer para mim e para o time do Abdz poder entrevistar um artista como Bruno 9li. É muito legal ver um artista da nossa cidade natal ser reconhecido por seu trabalho e talento. Esperamos que gostem da entrevista.
Visite o site de Bruno para mais informações: bruno9li.com.
1) Antes de começarmos eu gostaria de agradecer em nome da equipe do Abduzeedo a oportunidade de poder entrevista-lo. Primeiramente gostaria de conhecer um pouco de sua história, formação acadêmica e como começou o seu interesse por ilustração e artes plásticas?
Sou autoindicado, por ser idealizador da Universidade Autoindicada. Escolho meus mestres e minhas disciplinas e assim crio um sistema de pesquisa mais livre, muitas vezes cruzando assuntos díspares, contraditórios ou até mesmo sem uma relação direta em comum. Mas que, portanto, formam um imaginário com alto grau de entropia, cheio de colisões e contrastes. É da energia plasmática desses contrastes que minha arte ganha força imagética. Acredito no aprendizado através da intuição e impressão - conhecimento intuitivo. Quando se aprende pela impressão, o objeto de estudo e o estudante criam um laço metafísico que amplia as dimensões de aprendizado. Frequentei a School of Visual Arts durante minha estada de dois anos em NY anos atrás, assim como o frequentei o Atelier Livre da Prefeitura de Porto Alegre além de também ter estudado Design em universidade no Brasil.
2) Quais são as suas influências? Ilustradores e artistas em que você se inspira?
Assuntos que me interessam vão de Filosofia (grega clássica, medieval européia e mesmo oriental), primitivismo, grafismos e registros primitivos, futurismo, mitologia, xamanismo, física quântica, ocultismo, música, religiões, rituais... por ser metagrafista incorporo o imaginário selvagem e primitivo e o contrasto com a percepção urbana-metropolitana com intuito de criar novas dimensões para minhas cosmovisões. E são muito poucos os artistas que me inspiram, me tocam principalmente os mais viscerais e visionários como os mestres medievais da pintura na era gótica na Europa assim como muitos artistas desconhecidos primitivos de diferentes culturas do mundo, desde a América do Sul até a África - que muitas vezes criavam objetos, máscaras e vestimentas para fins espirituais e ritualísticos, sem uma relação direta com a arte como a entendemos hoje.
3) Ao longo de mais de 10 anos você desenvolveu um estilo muito particular. Como você o desenvolveu e como o descreveria?
Sou metagrafista, como comentei anteriormente e meu trabalho é feito de colisões e fragmentos que formam uma mitologia própria. Penso em meu trabalho como a incorporação de diversas experiências transmutadas em imagens de diferentes dimensões. E, na medida que amadureço, meu trabalho ganha mais força. O imaginário que crio está em constante renovação, porque viso a renovação. Tudo se renova na Terra.
4) O que fez com que você focasse mais no mercado das artes plásticas ao invés do mercado de ilustração?
Na verdade procuro aquilo que me dá força e serve como um campo livre para desenvolver minhas manifestações e o campo das artes plásticas me possibilita isso. Me sinto livre para colidir primitivismo e futurismo, por exemplo. Mitologia e filosofia, linhas orgânicas e linhas retas. O mercado é uma consequência da minha produção. No caso, sinceramente nunca me vi como ilustrador, uma vez que teria que trabalhar dentro de limitações que, muitas vezes não me agradam por limitar minha liberdade. A ilustração tem uma função, é criada para um determinado fim, diferentemente da arte. Mas meu trabalho autoral já foi utilizado para ilustrar em raras ocasiões.
5) Hoje em dia você basicamente trabalha em tempo integral como artista plástico, profissão que ainda não é vista como uma opção óbvia de carreira em um pais como o Brasil. Logo, nos diga o que você acha da cena artística do Brasil e o se você acha que é possível viver de arte aqui?
Sim, é possível viver de arte no Brasil. Sou brasileiro e vivo e pratico arte. Muitas vezes há uma idéia erronea de que não é possível se viver de arte no nosso país. Circunstâncias econômicas podem interferir no dia a dia de quem está nesse caminho, porém há a liberdade de se escolhê-lo. Arte não é uma commodity, não é uma necessidade básica da humanidade, mas pode-se afirmar que a arte faz de nós humanos. E a cena artística não só no Brasil como no mundo é vastíssima, fragmentada, diversificada, seria difícil descrever o que visualizo.
6) Como é o seu dia-a-dia? Nos fale um pouco de sua rotina.
Acordo com o Aru (meu gato) querendo brincar. Tomo café da manhã e vou para meu atelier trabalhar. Fico assim boa parte do dia, lendo, pintando, refletindo, visionando... costumo encontrar frequentemente amigos próximos com quem divido minha vida e tenho muita saudade da minha namorada que mora em outra cidade.
7) Você é hoje reconhecido como um dos maiores artistas plásticos brasileiros. Até o momento atual, qual você descreveria como seu melhor momento na carreira? E qual você descreveria como o pior?
Estou feliz, porém nunca satisfeito. Minhas vontade por trabalho é insaciável e isso se manifesta no que crio. Mas sou ainda muito novo, tenho muito a aprender e desenvolver. Mas se tiver que apontar o pior momento, seria quando eu era condicionado a trabalhar naquilo que me tirava a liberdade para ter que pagar contas... fase difícil, porém sempre enxerguei avante.
8) Nos diga 5 lições profissionais e de vida que você considera foram cruciais para que você chegasse no patamar atual.
Renovação e pesquisa constante, disciplina, visionismo e liberdade.
9) Nos diga 5 sites que você gosta, costuma acessar e porquê.
Ao invés de 5 direi um, Google. Minhas pesquisas mais frequentes na internet são tão fragmentadas que seria difícil descrever 5. Pesquiso os assuntos que me interessam e procuro, muitas vezes, aproveito o que há de disponível sem ter um canal específico.
10) Em nome da equipe do Abduzeedo eu gostaria de agradecer pelo seu tempo Bruno. Por favor, deixe uma última mensagem para o pessoal que pretende ingressar nas Artes Plásticas.
Escuta o chamado interno. Escolha seus próprios mestres nessa disciplina. SE LIBERTA. As verdadeiras idéias são puras e estilhaçam os tempos. VISIONA! TRANSMUTA! BUSCA!




















